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Quantos inadimplentes há no Brasil: Serasa, SPC e Banco Central

Quantos inadimplentes há no Brasil em 2026: 84 milhões pela Serasa, 75 milhões pelo SPC Brasil. Por que os números divergem e qual usar em cada caso.

Por Paulo Castilho 6 min de leitura

Esquema com o título "Quantos inadimplentes há no Brasil" e três cartões. Serasa: 84,0 milhões de negativados em agosto de 2026. SPC Brasil: 75,05 milhões de negativados em setembro de 2026. Banco Central: 20,3 milhões de endividados de risco em junho de 2026. Rodapé: Serasa e SPC Brasil contam negativados nas próprias bases; o Banco Central conta devedores do sistema financeiro que atendem a dois de quatro critérios de risco.
Neste artigo

O Brasil tinha entre 75 e 84 milhões de pessoas negativadas no fim do terceiro trimestre de 2026, conforme o birô de crédito consultado. A Serasa contou 84,0 milhões em agosto, 51,0% da população adulta. O SPC Brasil e a CNDL contaram 75,05 milhões em setembro, 44,67% dos adultos. Os números são diferentes porque cada birô conta as pessoas registradas na própria base, e a de um birô não é igual à do outro. O Banco Central usa outro critério e chega a 20,3 milhões de pessoas em endividamento de risco no sistema financeiro.

Os números de cada fonte#

Gráfico de barras com o título “Serasa, SPC Brasil e Banco Central contam inadimplentes com critérios diferentes”. Serasa, agosto de 2026: 84,0 milhões, 51,0% dos adultos, todos os consumidores com pelo menos uma conta vencida e não paga informada à base da Serasa. SPC Brasil e CNDL, setembro de 2026: 75,05 milhões, 44,67% dos adultos, estimativa a partir das bases a que o SPC Brasil e a CNDL têm acesso. Banco Central, junho de 2026: 20,3 milhões de devedores do sistema financeiro em endividamento de risco, que atendem a dois de quatro critérios, entre eles atraso acima de 90 dias. Nota: pelas porcentagens divulgadas, a população adulta usada como base é de 164,7 milhões na Serasa e de 168,0 milhões no SPC Brasil, em cálculo do blog.

FonteO que contaÚltimo dadoNúmero
Serasaconsumidores com pelo menos um compromisso vencido e não pago informado à sua baseago/202684,0 milhões
SPC Brasil e CNDLestimativa de consumidores com contas em atraso nas bases a que têm acessoset/202675,05 milhões
Banco Centraldevedores do sistema financeiro em endividamento de riscojun/202620,3 milhões
CNC (Peic)famílias com contas ou dívidas em atraso, por entrevistaset/202629,6% das famílias

O painel com a evolução de cada indicador em 12 meses está no artigo sobre os indicadores de inadimplência no Brasil.

O que a Serasa conta#

A Serasa Experian descreve o indicador como a “totalidade de consumidores brasileiros que estão em situação de inadimplência, com pelo menos um compromisso vencido e não pago, reportado à base da Serasa Experian”. Entra quem tem pelo menos uma dívida negativada por um credor que informa à Serasa. Uma pessoa com dez dívidas conta uma vez.

O número de agosto de 2026 foi de 83,98 milhões no comunicado à imprensa, arredondado para 84,0 milhões na página de indicadores, com alta de 0,06% sobre julho. Em fevereiro, eram 81,7 milhões de pessoas com mais de 332 milhões de dívidas, segundo o levantamento dos dez anos do Mapa da Inadimplência.

O que o SPC Brasil conta#

O indicador da CNDL e do SPC Brasil é uma estimativa. A última descrição de método encontrada nos comunicados da CNDL, de janeiro de 2018, diz que o indicador “sumariza todas as informações disponíveis nas bases de dados” a que as duas entidades têm acesso, nas capitais e no interior das 27 unidades da federação, com erro aproximado de 4 pontos percentuais e 95% de confiança. O comunicado de setembro de 2026 não traz nota de método.

Em setembro de 2026, os 75,05 milhões de negativados deviam em média R$ 5.240,29 cada, a 2,36 credores. O número de dívidas cresceu 13,62% em 12 meses, e o de pessoas, 4,4%, de acordo com os 71,86 milhões do comunicado de setembro de 2025 (cálculo do blog). Os bancos respondiam por 65,95% das dívidas na base.

Por que Serasa e SPC dão números diferentes#

Quatro diferenças explicam a distância entre 84 e 75 milhões:

  1. Base. Cada birô recebe as negativações dos credores que informam a ele. Um credor pode negativar em um birô e não no outro, e a pessoa aparece só em um deles.
  2. Método. A Serasa informa a totalidade da sua base; o SPC Brasil publica uma estimativa, com margem de erro.
  3. População adulta. Pelas porcentagens divulgadas, a Serasa usa uma população adulta de cerca de 164,7 milhões de pessoas, e o SPC Brasil, de 168,0 milhões (cálculo do blog: número de negativados dividido pela porcentagem). A mesma contagem daria porcentagens diferentes nas duas fontes.
  4. Mês. O último dado da Serasa é de agosto, e o do SPC Brasil, de setembro.

Na base do SPC Brasil, que pertence ao sistema da CNDL, a confederação dos lojistas, 65,95% das dívidas eram de bancos em setembro de 2026.

Os dois números não se somam, porque a mesma pessoa pode estar nas duas bases, e não se comparam para dizer se a inadimplência subiu. Para isso, compare o mesmo birô em dois meses, de preferência o mesmo mês de anos diferentes.

Negativado, inadimplente e endividado#

As três palavras aparecem como sinônimos nas notícias e medem coisas diferentes.

  • Negativado é quem tem uma dívida registrada num cadastro de inadimplentes. Antes do registro, o cadastro precisa avisar o consumidor por escrito (Código de Defesa do Consumidor, art. 43, § 2º; pela Súmula 359 do STJ, quem notifica é o cadastro), e a informação negativa fica no máximo cinco anos (art. 43, § 1º).
  • Inadimplente é quem tem uma conta vencida e não paga, negativada ou não. A Peic, da CNC, mede isso por entrevista: 29,6% das famílias tinham contas ou dívidas em atraso em setembro de 2026.
  • Endividado é quem tem dívidas, em dia ou não. Na mesma pesquisa, 81,7% das famílias tinham alguma dívida.

O Banco Central mede um quarto conceito. No Relatório de Estabilidade Financeira de outubro de 2026, 20,3 milhões de pessoas estavam em endividamento de risco em junho de 2026, 17% dos devedores do sistema financeiro e 75% a mais que em junho de 2021 (p. 77). A conta inclui quem atende a dois ou mais de quatro critérios (p. 72): atraso acima de 90 dias, mais da metade da renda comprometida com dívidas, uso ao mesmo tempo de cheque especial, crédito pessoal sem consignação e rotativo do cartão, e renda abaixo da linha de pobreza depois de pagar as dívidas. A base é a dos devedores do sistema financeiro, sem as contas de consumo que chegam aos birôs.

Qual número usar#

A escolha depende da pergunta:

  • Quantas pessoas estão com o nome negativado: um birô, sempre o mesmo, com o mês de referência. Para citar uma faixa, “entre 75 e 84 milhões, conforme o birô” é correto.
  • Se a inadimplência das famílias está subindo: a Peic, que mede qualquer atraso e qualquer tipo de conta.
  • O risco da carteira de crédito dos bancos: a taxa de inadimplência do Banco Central, com a ressalva da mudança de regra contábil de 2025.

    O efeito da regra está no artigo sobre a Resolução 4.966 e a inadimplência recorde.

  • Quantas pessoas estão em situação financeira frágil: o endividamento de risco do Banco Central.

Os motivos pelos quais as pessoas chegam a essa situação estão no artigo sobre os motivos da inadimplência no Brasil.

Fontes#

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