<?xml version="1.0" encoding="utf-8" standalone="yes"?><rss version="2.0" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"><channel><title>Inadimplência — Blog AreaCli</title><link>https://blog.areacli.com/tags/inadimplencia/</link><description>Negócios e tecnologia vistos de dentro de uma operação de crédito e cobrança: estratégia, dados, canais digitais e produto.</description><language>pt-BR</language><lastBuildDate>Tue, 20 Oct 2026 08:13:28 -0300</lastBuildDate><atom:link href="https://blog.areacli.com/tags/inadimplencia/index.xml" rel="self" type="application/rss+xml"/><item><title>Perfil do inadimplente: o que o estudo de Bristol mostrou</title><link>https://blog.areacli.com/perfil-do-inadimplente/</link><guid isPermaLink="true">https://blog.areacli.com/perfil-do-inadimplente/</guid><pubDate>Tue, 20 Oct 2026 07:00:00 -0300</pubDate><dc:creator>Paulo Castilho</dc:creator><category>Negócios</category><description>&lt;p&gt;O estudo da Universidade de Bristol que dividiu o perfil do inadimplente em quem não pode pagar, quem não quer e quem não é nenhum dos dois, e o que ele não mediu.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em 2003, pesquisadoras da Universidade de Bristol entrevistaram devedores e credores para responder a uma pergunta do governo britânico: por que as pessoas não pagam o que devem? O estudo organizou a resposta num mapa de duas dimensões, a capacidade e o compromisso de pagar. A maioria de quem atrasa quer pagar e não consegue. Uma minoria pode e não quer. E uma parte não é nenhum dos dois: está em disputa com o credor, é desorganizada com as contas ou foi vítima de um erro de terceiros. O estudo mostrou também que os credores diferem muito na capacidade de distinguir uns dos outros, e que os que menos distinguem são os que mais levam à Justiça quem não tem como pagar.&lt;/p&gt;&#10;&lt;p&gt;Este é o ponto de partida da série. As próximas partes tratam de cada grupo de devedores no Brasil de 2025 e 2026 e de como o credor descobre quem é quem. O estudo já apareceu no blog no artigo sobre &lt;a href="https://blog.areacli.com/inadimplencia-fora-da-cobranca/#2-tratar-todo-inadimplente-como-nao-pode-ou-nao-quer"&gt;causas da inadimplência que a cobrança não resolve&lt;/a&gt;; aqui ele é lido por inteiro.&lt;/p&gt;&#10;&lt;h2 id="por-que-o-estudo-foi-feito"&gt;Por que o estudo foi feito&lt;a class="ancora" href="#por-que-o-estudo-foi-feito" aria-label="Link para a seção: Por que o estudo foi feito"&gt;#&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&#10;&lt;p&gt;O relatório &amp;ldquo;Can&amp;rsquo;t pay or won&amp;rsquo;t pay? A review of creditor and debtor approaches to the non-payment of bills&amp;rdquo;, de Nicola Dominy e Elaine Kempson, do Centro de Pesquisa em Finanças Pessoais da Universidade de Bristol, foi encomendado pelo departamento britânico responsável pela Justiça civil, que revisava as regras de execução de dívidas. A revisão tinha concluído que o sistema não sabia separar quem tinha condições de pagar de quem não tinha: uns eram perseguidos por dívidas impagáveis, outros, que conheciam as fraquezas do sistema, escapavam.&lt;/p&gt;&#10;&lt;p&gt;Os conselheiros de dívida, de seu lado, diziam que o grande grupo de devedores profissionais era um mito. O relatório registra a divergência e conclui que ninguém sabia quantos eram os que não querem pagar.&lt;/p&gt;&#10;&lt;h2 id="como-foi-feito"&gt;Como foi feito&lt;a class="ancora" href="#como-foi-feito" aria-label="Link para a seção: Como foi feito"&gt;#&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&#10;&lt;p&gt;O estudo é qualitativo, de entrevistas longas, sem pretensão de medir proporções. A base foi:&lt;/p&gt;&#10;&lt;ul&gt;&#10;&lt;li&gt;a reanálise de 49 entrevistas de quatro pesquisas anteriores, escolhidas entre pessoas que tinham dinheiro para pagar e não pagaram;&lt;/li&gt;&#10;&lt;li&gt;15 entrevistas novas com devedores já em fase de cobrança judicial, indicados por uma empresa de cartão de crédito e uma de serviços públicos;&lt;/li&gt;&#10;&lt;li&gt;20 entrevistas com funcionários de cobrança de 10 credores: dois de cartão, dois de empréstimo, dois de financiamento imobiliário, duas prefeituras e duas empresas de serviços públicos. Em cada par, um credor que se esforçava para distinguir os devedores e um que não se esforçava;&lt;/li&gt;&#10;&lt;li&gt;10 entrevistas com associações do setor e reguladores, e 2 com conselheiros de dívida.&lt;/li&gt;&#10;&lt;/ul&gt;&#10;&lt;p&gt;As entrevistas com devedores levavam de uma hora e meia a duas horas e exigiam muita checagem, porque as histórias mudavam no meio da conversa.&lt;/p&gt;&#10;&lt;h2 id="a-maioria-nao-pode-pagar"&gt;A maioria não pode pagar&lt;a class="ancora" href="#a-maioria-nao-pode-pagar" aria-label="Link para a seção: A maioria não pode pagar"&gt;#&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&#10;&lt;p&gt;O estudo parte do que já se sabia. Num levantamento de 2002 com pessoas que tinham atrasado contas nos doze meses anteriores, 42% atribuíram o atraso a uma queda de renda, e 15% à renda baixa. Esquecer ou reter o pagamento foi o motivo de 12%, cerca de 1 em 8, e um erro do credor, em disputa, de 6%.&lt;/p&gt;&#10;&lt;p&gt;&#10;&lt;figure&gt;&#10; &lt;picture&gt;&#10; &lt;source media="(max-width: 600px)" srcset="https://blog.areacli.com/perfil-do-inadimplente/motivos-do-atraso-kempson-2002-celular_hu_88d01acba9a9a410.webp" width="840" height="1694"&gt;&#10; &lt;img src="https://blog.areacli.com/perfil-do-inadimplente/motivos-do-atraso-kempson-2002_hu_dcbf8e7e12e6d206.webp" srcset="https://blog.areacli.com/perfil-do-inadimplente/motivos-do-atraso-kempson-2002_hu_dcbf8e7e12e6d206.webp 760w, https://blog.areacli.com/perfil-do-inadimplente/motivos-do-atraso-kempson-2002_hu_87502345b8e6a222.webp 1520w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 760px" width="760" height="539" alt="Gráfico de barras com o título &amp;ldquo;A maioria atrasa porque a renda caiu ou é baixa; 1 em 8 esqueceu ou reteve o pagamento&amp;rdquo;. Motivo do atraso em contas da casa ou de crédito, em porcentagem de 208 pessoas com atraso nos 12 meses anteriores, no Reino Unido: queda de renda, 42%, dividida em demissão (18%), outra queda (12%), doença ou deficiência (6%) e separação (6%); renda baixa, 15%; esqueceu ou reteve o pagamento, 12%; despesa maior ou inesperada, 11%; compromissos demais, 9%; erro do credor, em disputa, 6%; dívida deixada por ex-parceiro, 2%; outro motivo, 3%." loading="lazy" decoding="async"&gt;&#10; &lt;/picture&gt;&#10;&lt;/figure&gt;&#10;&lt;/p&gt;&#10;&lt;p&gt;Três observações do relatório ajudam a ler esse número. A proporção de quem pode e não paga cresce nas fases finais da cobrança, porque os que podiam pagar e queriam já pagaram antes. Ela muda de um credor para outro e ao longo do ciclo econômico: na recessão, cresce a parte dos que não conseguem. E ela muda com o tipo de conta. No Reino Unido de então, as contas com menos prioridade eram o imposto municipal, a conta de água e o cartão de crédito. A recusa em pagar a água cresceu em meados dos anos 1990, quando os jornais publicavam os salários dos executivos das empresas recém-privatizadas enquanto as tarifas subiam.&lt;/p&gt;&#10;&lt;h2 id="capacidade-de-pagar-tres-momentos"&gt;Capacidade de pagar: três momentos&lt;a class="ancora" href="#capacidade-de-pagar-tres-momentos" aria-label="Link para a seção: Capacidade de pagar: três momentos"&gt;#&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&#10;&lt;p&gt;A primeira contribuição do estudo é separar a capacidade de pagar no tempo. Há quem tinha o dinheiro quando atrasou e ainda tem quando o credor chega à fase final da cobrança. Há quem nunca teve. E há quem tinha quando atrasou, mas perdeu a renda no caminho. A mesma pessoa pode mudar de grupo entre o primeiro boleto vencido e a ação judicial.&lt;/p&gt;&#10;&lt;h2 id="compromisso-de-pagar-quem-quer-quem-nao-quer-e-quem-nao-e-nenhum-dos-dois"&gt;Compromisso de pagar: quem quer, quem não quer e quem não é nenhum dos dois&lt;a class="ancora" href="#compromisso-de-pagar-quem-quer-quem-nao-quer-e-quem-nao-e-nenhum-dos-dois" aria-label="Link para a seção: Compromisso de pagar: quem quer, quem não quer e quem não é nenhum dos dois"&gt;#&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&#10;&lt;p&gt;A segunda contribuição é separar a intenção de pagar da capacidade. O estudo descreve três situações típicas de quem quer pagar e não consegue: renda baixa por muito tempo, somada a uma despesa inesperada; uma queda grande e repentina de renda; e um problema de saúde mental que prejudica a gestão do dinheiro. Algumas dessas pessoas parecem não querer pagar, porque quitam tudo quando recebem a citação judicial. Na verdade, pegaram o dinheiro emprestado com a família ou no mercado.&lt;/p&gt;&#10;&lt;p&gt;Do outro lado, quatro perfis com pouca ou nenhuma intenção de pagar em dia:&lt;/p&gt;&#10;&lt;ul&gt;&#10;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Quem retém o pagamento por princípio.&lt;/strong&gt; Não deixa de pagar todas as contas, só uma, por achar que o serviço é ruim ou caro demais. No estudo, um construtor que tinha dinheiro de sobra recusava a conta de água porque a tarifa triplicara sem melhora no serviço.&lt;/li&gt;&#10;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;O ex-parceiro que retém.&lt;/strong&gt; Continua responsável por contas da antiga casa e deixa de pagá-las.&lt;/li&gt;&#10;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Quem trabalha o sistema.&lt;/strong&gt; Paga tudo, mas no último momento possível, e conhece em detalhe as etapas da cobrança de cada credor. Para os credores entrevistados, é o maior grupo entre os que podem pagar. Um dos entrevistados contou que, com dívidas de cartão maiores, consegue quitar por cerca de 60% do valor, porque a empresa prefere receber de uma vez.&lt;/li&gt;&#10;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Quem foge da responsabilidade.&lt;/strong&gt; Acumulou dívidas grandes em cartões e empréstimos e culpa os bancos por terem emprestado. Os credores de crédito reconheciam o grupo, diziam que ele crescia e admitiam parte da responsabilidade: limites aumentados sem consulta a birôs de crédito.&lt;/li&gt;&#10;&lt;/ul&gt;&#10;&lt;p&gt;E três situações que o estudo diz não serem nem &amp;ldquo;não pode&amp;rdquo; nem &amp;ldquo;não quer&amp;rdquo;, tenha a pessoa dinheiro ou não:&lt;/p&gt;&#10;&lt;ul&gt;&#10;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Disputa com o credor.&lt;/strong&gt; Um casal que perdeu renda depois do nascimento de um filho com paralisia cerebral fez acordos com todos os credores, menos com a empresa de água, que recusava os pagamentos parciais e chegou a devolver os cheques. O casal parou de pagar.&lt;/li&gt;&#10;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Desorganização.&lt;/strong&gt; Paga algumas contas em dia e outras não, sem intenção de atrasar. Os credores reconheciam o grupo e diziam que o débito automático resolve a maior parte dos casos.&lt;/li&gt;&#10;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Falha administrativa de terceiros.&lt;/strong&gt; Inquilinos processados por aluguel atrasado porque o auxílio-moradia, pago pela prefeitura direto ao proprietário, não tinha sido depositado. Numa pesquisa oficial citada no relatório, 35% dos inquilinos de habitação social com aluguel atrasado apontaram problemas com esse benefício.&lt;/li&gt;&#10;&lt;/ul&gt;&#10;&lt;h2 id="o-mapa"&gt;O mapa&lt;a class="ancora" href="#o-mapa" aria-label="Link para a seção: O mapa"&gt;#&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&#10;&lt;p&gt;O cruzamento das duas dimensões é a tabela mais citada do estudo. Os perfis sem intenção de pagar viram &amp;ldquo;não quer&amp;rdquo; quando têm o dinheiro, e &amp;ldquo;não quer, mas não pode&amp;rdquo; quando não têm. Disputa e desorganização ficam fora da divisão. Quem perdeu renda, quem vive com renda baixa e quem tem um problema de saúde mental são &amp;ldquo;não pode&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;&#10;&lt;p&gt;&#10;&lt;figure&gt;&#10; &lt;picture&gt;&#10; &lt;source media="(max-width: 600px)" srcset="https://blog.areacli.com/perfil-do-inadimplente/mapa-nao-pode-nao-quer-bristol-celular_hu_e6abfd363ad30d2.webp" width="840" height="2678"&gt;&#10; &lt;img src="https://blog.areacli.com/perfil-do-inadimplente/mapa-nao-pode-nao-quer-bristol_hu_56d1cbd477ed5f0.webp" srcset="https://blog.areacli.com/perfil-do-inadimplente/mapa-nao-pode-nao-quer-bristol_hu_56d1cbd477ed5f0.webp 760w, https://blog.areacli.com/perfil-do-inadimplente/mapa-nao-pode-nao-quer-bristol_hu_f353f79df4549cb.webp 1520w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 760px" width="760" height="695" alt="Mapa com o título &amp;ldquo;O mapa de Bristol: a intenção de pagar cruzada com a capacidade, em três momentos&amp;rdquo;. As colunas são: tem o dinheiro hoje; tinha ao atrasar, hoje não tem; nunca teve. Sem intenção de pagar: retém por princípio, ex-parceiro que retém e trabalha o sistema são &amp;ldquo;não quer&amp;rdquo; com dinheiro e &amp;ldquo;não quer, mas não pode&amp;rdquo; nas outras duas colunas; foge da responsabilidade é &amp;ldquo;não quer&amp;rdquo; com dinheiro e &amp;ldquo;não quer, mas não pode&amp;rdquo; na segunda coluna; retém por disputa com o credor é &amp;ldquo;nenhum dos dois&amp;rdquo; nas três. Com intenção de pagar: desorganizado é &amp;ldquo;nenhum dos dois&amp;rdquo; nas três; mudança de circunstância e renda baixa há muito tempo são &amp;ldquo;não pode&amp;rdquo; na coluna &amp;ldquo;nunca teve&amp;rdquo;; problema de saúde mental é &amp;ldquo;não pode&amp;rdquo; nas três." loading="lazy" decoding="async"&gt;&#10; &lt;/picture&gt;&#10;&lt;/figure&gt;&#10;&lt;/p&gt;&#10;&lt;p&gt;Para a categoria do meio, &amp;ldquo;não quer, mas não pode&amp;rdquo;, o estudo registra o que os melhores credores faziam: não acionar a Justiça enquanto não há dinheiro, acompanhar a dívida e voltar a cobrar quando a situação melhorar.&lt;/p&gt;&#10;&lt;h2 id="tres-formas-de-cobrar"&gt;Três formas de cobrar&lt;a class="ancora" href="#tres-formas-de-cobrar" aria-label="Link para a seção: Três formas de cobrar"&gt;#&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&#10;&lt;p&gt;A outra metade do estudo olha para os credores, e a conclusão é que a forma de cobrar não depende do setor. Credores de todos os tipos, bancos, empresas de serviços públicos, prefeituras e financeiras, se dividiam em três abordagens.&lt;/p&gt;&#10;&lt;p&gt;&#10;&lt;figure&gt;&#10; &lt;picture&gt;&#10; &lt;source media="(max-width: 600px)" srcset="https://blog.areacli.com/perfil-do-inadimplente/tres-formas-de-cobrar-bristol-celular_hu_ef56debf9d001a24.webp" width="840" height="1862"&gt;&#10; &lt;img src="https://blog.areacli.com/perfil-do-inadimplente/tres-formas-de-cobrar-bristol_hu_badc8e45c1d3aecf.webp" srcset="https://blog.areacli.com/perfil-do-inadimplente/tres-formas-de-cobrar-bristol_hu_badc8e45c1d3aecf.webp 760w, https://blog.areacli.com/perfil-do-inadimplente/tres-formas-de-cobrar-bristol_hu_ac43d91c5fb38f11.webp 1520w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 760px" width="760" height="555" alt="Figura com o título &amp;ldquo;Das três formas de cobrar do estudo, só uma separa quem não pode de quem não quer pagar&amp;rdquo;, com três colunas. Holístico: vai além do código de conduta, investiga por que o cliente atrasou, separa clientes para tratar com justiça, vê o conselheiro de dívidas como aliado e trata a ação judicial como sinal de fracasso; resultado, usa menos a Justiça e só contra quem pode pagar. Negócio duro: segue o texto do código sem atender à intenção dele, faz pouco esforço para conhecer a situação, separa clientes para reduzir custo, vê o conselheiro de dívidas como obstáculo e trata a ação judicial como parte da cobrança; resultado, tenta distinguir, mas só no fim, e erra mais. Procedimento único: sem código, ou com código recente, formas de pagamento padrão, não sabe a situação do cliente, não separa clientes e trata a ação judicial como a etapa final inevitável; resultado, é quem mais leva à Justiça quem não pode pagar." loading="lazy" decoding="async"&gt;&#10; &lt;/picture&gt;&#10;&lt;/figure&gt;&#10;&lt;/p&gt;&#10;&lt;p&gt;O credor holístico liga em vez de mandar carta, porque o telefonema permite perguntar por que o pagamento não veio. Monta planos de pagamento realistas e recusa ofertas que o cliente não vai conseguir cumprir, depois de ter aprendido que aceitar qualquer oferta só adiava o problema. Suspende a cobrança enquanto resolve uma disputa. E testa mudanças no procedimento em uma parte dos clientes antes de adotá-las para todos, comparando o resultado com o procedimento em vigor, o mesmo raciocínio do &lt;a href="https://blog.areacli.com/inadimplencia-fora-da-cobranca/#6-propor-uma-solucao-que-nao-e-sua"&gt;piloto com grupo de comparação&lt;/a&gt; da série anterior.&lt;/p&gt;&#10;&lt;p&gt;O credor de negócio duro também investe em sistemas, mas para reduzir o custo da cobrança. Parte da premissa de que quem não faz contato está fugindo da dívida e usa modelos estatísticos para acelerar esses clientes até a ação judicial. Um gerente de cobrança de banco contou que sua área entrava com 800 ações por mês e não sabia nada sobre a situação de metade dos devedores.&lt;/p&gt;&#10;&lt;p&gt;O credor de procedimento único manda as mesmas cartas, nos mesmos prazos, para todos. Não tem como saber quem não pode pagar e conta com a Justiça para descobrir.&lt;/p&gt;&#10;&lt;h2 id="o-que-fez-quem-podia-pagar-pagar"&gt;O que fez quem podia pagar pagar&lt;a class="ancora" href="#o-que-fez-quem-podia-pagar-pagar" aria-label="Link para a seção: O que fez quem podia pagar pagar"&gt;#&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&#10;&lt;p&gt;Para os que podem pagar e deixam para depois, a ameaça crível costuma bastar. Um credor de financiamento imobiliário estimou que de 30% a 40% dos clientes respondem à carta que anuncia a ação judicial, e mais 10% quando a data da audiência é marcada. Uma empresa de cartão estimou que metade dos que recebem o aviso de envio à cobrança terceirizada faz contato e fecha acordo. Para os que o estudo chama de endurecidos, nem a ameaça nem a ação mudam o comportamento, e o melhor que o credor pode fazer é recuperar o que der pelo menor custo.&lt;/p&gt;&#10;&lt;h2 id="o-que-o-estudo-propos"&gt;O que o estudo propôs&lt;a class="ancora" href="#o-que-o-estudo-propos" aria-label="Link para a seção: O que o estudo propôs"&gt;#&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&#10;&lt;p&gt;A conclusão central é de responsabilidade: cabe ao credor descobrir a situação de quem deve e evitar levar à Justiça quem não pode pagar, sem tirar do devedor a obrigação de pagar quando tem como. Para isso, o relatório propôs códigos de conduta com princípios gerais e orientação detalhada de aplicação, fiscalizados por um órgão independente; o registro, antes de cada ação judicial, de que o código foi seguido; e um papel formal para os conselheiros de dívida independentes, que ajudam a identificar quem não pode pagar e quem tem problemas de saúde mental.&lt;/p&gt;&#10;&lt;h2 id="o-que-o-estudo-nao-conseguiu-medir"&gt;O que o estudo não conseguiu medir&lt;a class="ancora" href="#o-que-o-estudo-nao-conseguiu-medir" aria-label="Link para a seção: O que o estudo não conseguiu medir"&gt;#&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&#10;&lt;p&gt;O estudo nasceu como um teste para uma pesquisa quantitativa, que contaria quantos devedores são de cada tipo. As autoras concluíram que essa pesquisa seria muito difícil.&lt;/p&gt;&#10;&lt;p&gt;&#10;&lt;figure&gt;&#10; &lt;picture&gt;&#10; &lt;source media="(max-width: 600px)" srcset="https://blog.areacli.com/perfil-do-inadimplente/por-que-e-dificil-medir-celular_hu_9b179197f138cab0.webp" width="840" height="1162"&gt;&#10; &lt;img src="https://blog.areacli.com/perfil-do-inadimplente/por-que-e-dificil-medir_hu_d019e6ab1ebb39e0.webp" srcset="https://blog.areacli.com/perfil-do-inadimplente/por-que-e-dificil-medir_hu_d019e6ab1ebb39e0.webp 760w, https://blog.areacli.com/perfil-do-inadimplente/por-que-e-dificil-medir_hu_b6983f35ce59469a.webp 1520w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 760px" width="760" height="440" alt="Figura com o título &amp;ldquo;Por que o estudo não conseguiu contar quantos não podem e quantos não querem&amp;rdquo;. Dos devedores em fase final de cobrança que os pesquisadores tentaram entrevistar, 40% tinham mudado do último endereço conhecido pelo credor, e 20% não foram encontrados depois de 6 ou mais tentativas. Os 15 entrevistados, em geral, só foram alcançados depois de muitas tentativas. As respostas mudavam ao longo da entrevista, e poucos admitiam reter o pagamento de propósito; os que mais evitavam a cobrança eram também os que menos aceitavam ser entrevistados." loading="lazy" decoding="async"&gt;&#10; &lt;/picture&gt;&#10;&lt;/figure&gt;&#10;&lt;/p&gt;&#10;&lt;p&gt;Os registros judiciais não têm a informação necessária, porque a diferença entre não poder e não querer está em atitudes e hábitos. Os credores relutavam em ceder amostras por causa da lei de proteção de dados. E os devedores que menos querem pagar são justamente os mais difíceis de encontrar e os que menos aceitam falar, o que distorce qualquer amostra. Por isso, a divisão entre &amp;ldquo;não pode&amp;rdquo; e &amp;ldquo;não quer&amp;rdquo; continua difícil de medir.&lt;/p&gt;&#10;&lt;h2 id="o-que-isso-tem-a-ver-com-o-brasil"&gt;O que isso tem a ver com o Brasil&lt;a class="ancora" href="#o-que-isso-tem-a-ver-com-o-brasil" aria-label="Link para a seção: O que isso tem a ver com o Brasil"&gt;#&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&#10;&lt;p&gt;O corte do estudo aparece nas regras brasileiras. Desde 2024, as regras de tratamento e negociação de dívidas da autorregulação bancária da Febraban estão na &lt;a href="https://cmsarquivos.autorregulacaobancaria.com.br/Arquivos/documentos/PDF/Consolida%C3%A7%C3%A3o%20Normativa%20Relacionamento%20com%20o%20Consumidor%20-%20Normativo%2027-2023.pdf" rel="noopener"&gt;consolidação dos normativos de relacionamento com o consumidor&lt;/a&gt; (normativo SARB 27/2023, que absorveu o antigo SARB 18/2017). O texto diz que essas medidas &amp;ldquo;não se aplicam aos casos de fraude ou má-fé&amp;rdquo; e lista entre os princípios a sustentabilidade do acordo e a concessão responsável do crédito. A regra separa quem não pode de quem não quer e traz o mesmo problema que Bristol apontou: alguém precisa descobrir, caso a caso, de que lado está o devedor.&lt;/p&gt;&#10;&lt;p&gt;As próximas partes da série fazem essa pergunta com dados brasileiros: quem não pode pagar no Brasil de 2026, quem não quer, quem não é nenhum dos dois, como o credor descobre a diferença e quando deve parar de cobrar.&lt;/p&gt;&#10;&lt;h2 id="fonte"&gt;Fonte&lt;a class="ancora" href="#fonte" aria-label="Link para a seção: Fonte"&gt;#&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&#10;&lt;p&gt;Nicola Dominy e Elaine Kempson, &lt;a href="https://www.bristol.ac.uk/media-library/sites/geography/migrated/documents/pfrc0307.pdf" rel="noopener"&gt;&amp;ldquo;Can&amp;rsquo;t pay or won&amp;rsquo;t pay? A review of creditor and debtor approaches to the non-payment of bills&amp;rdquo;&lt;/a&gt;, Personal Finance Research Centre, Universidade de Bristol, para o Lord Chancellor&amp;rsquo;s Department, março de 2003 (relatório completo; há também um &lt;a href="https://www.bristol.ac.uk/media-library/sites/geography/migrated/documents/pfrc0308.pdf" rel="noopener"&gt;resumo executivo&lt;/a&gt;). Os números sobre motivos de atraso são de Kempson (2002), citados no relatório.&lt;/p&gt;&#10;</description></item></channel></rss>